PORTUGAL • DISTRITO DE LEIRIA • CONCELHO DA MARINHA GRANDE 39°47'20"N   8°56'40"W  |  CP 2430
MONOGRAFIA TERRITORIAL • CONCELHO DA MARINHA GRANDE

Lugar do Pilado

Situado na orla oriental da Mata Nacional de Leiria, a cinco quilómetros do centro da Marinha Grande e a poucos minutos do areal atlântico do Samouco, o Pilado desenvolveu-se historicamente no cruzamento entre a lavoura dos casais de areia, a exploração florestal da resina e o labor industrial vidreiro e de moldes.

População Residente ~950 hab. Lugar do Pilado ( ~39.000 no concelho )
Origem Toponímica «O Pilão» Moagem artesanal de milho e centeio
Coletividade Histórica 25 Jul. 1948 Fundação da SDR Pilado e Escoura
Costa Atlântica 7,5 km Acesso direto à Praia do Samouco
01 / DEMOGRAFIA E SOCIEDADE

Os Habitantes e a Vida Comunitária

O lugar do Pilado, estreitamente ligado ao lugar vizinho da Escoura e próximo de Garcia e da Moita da Roda, conta hoje com cerca de um milhar de moradores. Durante o século XX, a sua população caracterizou-se pela pluriatividade: a mesma família mantinha a horta e o gado miúdo em casa enquanto o chefe de família trabalhava nos fornos de vidro ou na resinagem da mata.

O centro cívico da povoação é, desde 1948, a Sociedade Desportiva e Recreativa do Pilado e Escoura (SDRPE), acompanhada pela Capela de Nossa Senhora do Rosário, erguida em 1974 por subscrição e mão-de-obra voluntária dos moradores.

02 / ETIMOLOGIA E TOPONÍMIA

Como Nasceu o Nome «Pilado»

O topónimo tem raiz direta na cultura cerealífera que precedeu a industrialização. Antes da disseminação das moagens mecânicas no vale do rio Lis, o milho e o centeio colhidos nos terrenos arenosos da borda da mata eram descascados e triturados num pilão — peça escavada em tronco maciço de carvalho ou pinheiro onde o grão era batido a maço.

A referência oral dos habitantes das povoações vizinhas ao «casal onde se pila o milho» ou ao «sítio do pilado» fixou-se nos registos paroquiais e cartográficos, dando o nome definitivo à aldeia.

03 / MARCOS IDENTITÁRIOS

Pelo Que o Pilado é Conhecido

  • Fronteira com o Pinhal do Rei: Acesso imediato aos aceiros e talhões da Mata Nacional de Leiria e ao caminho florestal para a Praia do Samouco.
  • Tradição do Chinquilho: Os torneios inter-lugares disputados nos terreiros de terra batida da SDRPE aos domingos.
  • Fornos de Broa a Lenha: A cozedura tradicional de pão de milho amarelo sobre folha de couve-galega aquecida a caruma e carqueja.
  • Mestria Operária: Berço de gerações de mestres vidreiros das fábricas marinhenses e de técnicos de moldes de alta precisão.
MATRIZ SOCIOECONÓMICA DO LUGAR

Os Quatro Ofícios Fundadores da Gente do Pilado

Quatro perfis laborais distintos que moldaram a economia familiar, a arquitetura das casas e o carácter da população entre os séculos XIX e XXI.

OFÍCIO I
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O Resineiro

Exploração Florestal • Mata Nacional de Leiria
Auge: Séc. XIX – Anos 1980

A Função e o Quotidiano

Trabalhador sazonal das campanhas da resina nos talhões do Pinhal do Rei contíguos ao Pilado. Saía de madrugada, antes de o calor estival secar a seiva, para abrir a «ferida» no tronco do pinheiro-bravo (Pinus pinaster), cravar a bica de folha-de-flandres e recolher a «gema» nos púcaros de barro cozido.

Complementava o rendimento familiar com o corte de lenhas, a apanha de pinhas e a recolha de caruma seca para os fornos e camas de gado, além do trabalho nas antigas carvoeiras da mata.

Instrumentos de Trabalho
Machado de meia-lua (enxó) Púcaro de barro Bica de flandres Raspadeira de ferro Barris de madeira
Regime de Trabalho

Empreitada por número de árvores sangradas («carreiras de pinheiros»), do nascer do sol ao início da tarde.

OFÍCIO II
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O Mestre Vidreiro

Indústria de Fusão e Sopro • Marinha Grande
Auge: Séc. XVIII – Século XX

A Função e o Quotidiano

Operário especializado que se deslocava diariamente do Pilado — primeiro a pé pelos atalhos de areia, mais tarde nas célebres bicicletas pasteleiras — para as «praças» das grandes vidreiras da Marinha Grande (Real Fábrica de Vidros Stephens, Nacional, Santos Barosa, Pereira Roldão).

Começava em jovem como «moço de praça» ou «empalhador» e subia na hierarquia até «colhedor» e «mestre soprador», dominando a cana de ferro perante fornos a 1.400 °C para moldar cristalaria, garrafaria e vidro de iluminação.

Instrumentos de Trabalho
Cana de sopro em ferro Pontil Moldes em madeira de pereira Tesoura de cortar gota Forno de arca (recozimento)
Regime de Trabalho

Turnos contínuos de 8 horas junto aos fornos de pote ou de bacia, exigindo elevada resistência física e mestria técnica.

OFÍCIO III
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O Lavrador do Pilão

Agricultura de Subsistência • Casais do Pilado
Raiz Histórica da Povoação

A Função e o Quotidiano

Responsável por transformar os solos arenosos e ácidos da transição florestal em courelas produtivas. Através da estrumação com mato e caruma curtida nos currais e da rega tirada de poços e picotas, garantia o cultivo do milho amarelo, do feijão-frade, da batata e da couve-galega.

Foi a sua atividade de pilar o grão nos pilões domésticos e de cozer a broa nos fornos a lenha comunitários que assegurou a autonomia alimentar da aldeia durante as crises do século XX e batizou o próprio lugar do Pilado.

Instrumentos de Trabalho
Pilão e maço de madeira Charrua e grade Crivo de farinha Masseira de pinho Pá de forno a lenha
Regime de Trabalho

Lavoura familiar permanente de sol a sol, articulada com a criação de suínos, aves de capoeira e gado bovino de tiro.

OFÍCIO IV
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O Moldista de Precisão

Engenharia Metalomecânica • Pólo de Moldes
Auge: Anos 1960 – Presente

A Função e o Quotidiano

Herdeiro direto dos serralheiros que abriam moldes em ferro fundido para as fábricas de vidro. A partir da segunda metade do século XX, com a transição para os moldes de injeção de termoplásticos (iniciada por Aníbal H. Abrantes e outros pioneiros marinhenses), muitos jovens do Pilado formaram-se como fresadores, torneiros, retificadores e projetistas.

Muitos estabeleceram mesmo pequenas e médias oficinas de subcontratação e bancada nas imediações da aldeia, exportando tecnologia de aço trabalhada ao mícron para a indústria automóvel, médica e eletrónica mundial.

Instrumentos de Trabalho
Centros de maquinagem CNC Eletroerosão (EDM) Micrómetro e Paquímetro Aços especiais temperados Sistemas CAD / CAM
Regime de Trabalho

Oficina metalomecânica de alta precisão e gabinetes de engenharia, ligando o Pilado às cadeias industriais globais.

PATRIMÓNIO NATURAL E MARÍTIMO • MATA NACIONAL DE LEIRIA

A Praia do Samouco e a Fonte

Para as gentes do Pilado, o mar não significa apenas as estâncias conhecidas de São Pedro de Moel ou da Praia da Vieira. A verdadeira praia de refúgio, atravessando os aceiros direitos do Pinhal do Rei rumo ao poente, é a Praia do Samouco — um areal selvagem abraçado pelas dunas primárias e pelas nascentes de água doce da mata.

GEOGRAFIA E ECOLOGIA COSTEIRA

O Areal Selvagem entre São Pedro de Moel e o Lis

Situada a cerca de 5 quilómetros a norte de São Pedro de Moel e a escassos 10 minutos de caminho florestal desde o Pilado, a Praia do Samouco (também historicamente referida como Praia do Olho do Samouco) conserva o carácter intocado da costa da Marinha Grande antes da pressão urbanística. Sem prédios nem betão na linha de horizonte, o acesso faz-se rasgando o interior da Mata Nacional de Leiria até onde os pinheiros dão lugar ao cordão dunar.

O seu nome provém da presença abundante do samouqueiro (Myrica faya, igualmente conhecido por samouco ou faia-das-ilhas), uma árvore de folha persistente e copa densa que prospera nos solos húmidos junto às linhas de água doce que brotam a pouca distância das dunas. Nos talhões adjacentes da mata — com destaque para os históricos Talhões 144 e 145 — existem exemplares seculares de samouco classificados de interesse público pela sua raridade e porte arbóreo.

A Fonte do Samouco e as Merendas da Aldeia

Antes de subir a duna para o oceano, aninhada na sombra fresca do arvoredo, encontra-se a célebre Fonte do Samouco. Caracterizada pelo seu sistema peculiar de pequenos tanques circulares interligados onde a água corre límpida e fresca durante todo o ano, a fonte sempre foi paragem obrigatória para os moradores do Pilado e da Escoura.

Era ali, nas mesas de pedra do parque de merendas, que as famílias estendiam as toalhas de quadrados nos domingos de agosto depois da missa, abriam os garrafões de vidro empalhado e partiam a broa com morcela e sardinha frita, enquanto a rapaziada corria descalça pela areia até à rebentação forte do Atlântico.

Ficha Geográfica: Samouco

Designação Oficial
Praia do Samouco / Fonte do Samouco
Distância do Pilado
~7,5 km (via caminhos florestais / Estrada da Mata)
Enquadramento Florestal
Talhões 144 e 145 da Mata Nacional de Leiria (ICNF)
Espécie Botânica
Samouqueiro (Myrica faya), Pinheiro-bravo (Pinus pinaster), Camarinheira (Corema album)
Características do Mar
Praia oceânica aberta, areal extenso, duna alta preservada, forte hidrodinamismo (pesca desportiva de robalo e sargo ao corrico/fundo)
Património Hídrico
Fonte do Samouco (nascente natural com tanques circulares de decantação e parque de merendas)
I • A FLORA E AS CAMARINHAS

O Samouqueiro e as Camarinheiras da Duna

Além dos samouqueiros centenários que fixam o azoto nos terrenos húmidos do Talhão 144, as dunas do Samouco eram percorridas no final do verão pelas mulheres e crianças do Pilado para colher camarinhas — aquelas pequenas bagas brancas e translúcidas de sabor agridoce que cresciam nos arbustos rasteiros virados à maresia.

II • A PESCA DE COSTA E O MAR

Os Pescadores de Cana nos Fundões do Samouco

Ao contrário das praias de banhos vigiadas, o Samouco sempre foi o território de eleição dos pescadores de costa do Pilado. Nas marés vivas de outono e inverno, com canas compridas cravadas na areia molhada ao cair da tarde, pescava-se o robalo, a dourada e o sargo nos «fundões» cavados pelas correntes junto à rebentação.

III • RENOVAÇÃO E CONSERVAÇÃO

A Defesa da Mata e o Restauro Ecológico

Após os grandes incêndios que feriram o Pinhal de Leiria (nomeadamente em outubro de 2017), a área do Samouco e o Talhão 145 tornaram-se símbolos da regeneração florestal do concelho, recebendo ações de reflorestação comunitária e proteção da biodiversidade costeira.

ARQUIVO DE MEMÓRIA ORAL • QUINZE CRÓNICAS DOCUMENTAIS

Crónicas da Gente do Pilado

Quinze relatos históricos e humanos recolhidos da memória oral da aldeia: dos resineiros e carvoeiros do Pinhal do Rei aos vidreiros da madrugada, das merendas na Fonte do Samouco aos emigrantes em França, das oficinas de moldes nos quintais à resistência comunitária.

CRÓNICA 01 DE 15 • OFÍCIOS DO PINHAL DE LEIRIA

A Geada das Cinco da Manhã e as Bicas de Resina

Nas casas térreas do Pilado de meados do século XX, o dia começava muito antes de clarear. Bastava o vento leste fazer bater as portadas de madeira e o cantar do primeiro galo nos quintais para os homens da resina se erguerem da enxerga. Lá fora, nos meses frios, a geada cobria os agulheiros de caruma como uma camada de sal.

Calçavam-se as botas cardadas, atavam-se as perneiras de lona grossa para proteger as canelas do mato molar e do tojo, e punha-se ao ombro o ferro de raspar, a machadinha de meia-lua e o cesto de verga carregado de púcaros de barro vermelho vindos das olarias da Bajouca e de Leiria.

«Hoje tenho de fazer a carreira toda até ao aceiro do Samouco antes do meio-dia, que se o sol aperta a gema corre para a areia.»

No interior do Pinhal do Rei, o trabalho exigia pulso certeiro. O resineiro limpava a casca grossa do pinheiro-bravo, abria uma incisão pouco profunda para não matar a árvore, espetava a pequena chapa de folha-de-flandres e pendurava o púcaro preso por um prego. Pouco depois, a resina limpa e translúcida — a «gema» — começava a pingar lentamente, enchendo a mata daquele odor balsâmico e penetrante que anunciava o verão.

Quando os púcaros enchiam, as mulheres e os rapazes ajudavam na «recolha», despejando a resina com uma espátula de madeira para dentro de latas e barris que as carroças de mulas transportavam para as fábricas de destilação de pez e aguarrás na Marinha Grande.

CRÓNICA 02 DE 15 • A INDÚSTRIA VIDREIRA

O Assobio das Três e Meia e a Bicicleta da Fábrica

Quando o apito a vapor das fábricas de vidro da Marinha Grande soava no silêncio da noite, o eco chegava nítido aos telhados do Pilado. Às três e meia da madrugada, abriam-se os portões de madeira e dezenas de homens saíam para a estrada em cima das suas bicicletas pasteleiras de quadro preto, com o dínamo a chiar na roda da frente e um foco amarelado a cortar o nevoeiro.

Presa ao suporte traseiro por tiras de borracha, ia a lancheira de alumínio de dois andares com caldo de feijão, uma posta de bacalhau assado ou um naco de toucinho com broa. Os rapazes começavam nas fábricas logo aos onze ou doze anos, a abrir e fechar os moldes ou a transportar as peças na forquilha até às arcas de recozimento.

«Dá ao pedal, rapaz, que na praça do mestre vidreiro quem chega depois do apito perde metade do jornal!»

Lá dentro, no ambiente incandescente das praças da Fábrica Stephens ou da Santos Barosa, o calor dos fornos a mais de mil e quatrocentos graus obrigava os homens a trabalhar em tronco nu ou de camisola de algodão ensopada em suor. Na ponta da cana de ferro, a gota de vidro em brasa ganhava forma através do sopro cadenciado e da rotação constante das mãos.

No fim do turno, regressavam ao Pilado ainda com o rosto afogueado pela fornalha e pegavam na enxada até ao anoitecer para cuidar da vinha e do milho, num duplo esforço que ergueu quase todas as casas da aldeia.

CRÓNICA 03 DE 15 • OS CAMINHOS DA MATA E DO MAR

O Almocreve e a Estrada Velha do Samouco

Antes de existirem estradas alcatroadas a ligar as aldeias do interior ao litoral, a travessia entre o Pilado e a costa fazia-se pelos aceiros de areia solta do Pinhal do Rei. Era por esses trilhos direitos, ladeados por pinheiros gigantescos e matagais de samoucos e camarinhos, que seguiam os almocreves e peixeiros com as burras carregadas de alcofas de esparto.

Saíam de madrugada rumo à Praia da Vieira ou aos areais do Samouco para comprar sardinha, carapau e raia fresca às companhas da arte-xávega, regressando a passo apressado para vender o peixe pelas portas do Pilado, da Escoura e do Garcia antes do calor do meio-dia.

«Homem criado na borda do Pinhal do Rei não perde o rumo nem em noite de cerração fechada: basta-lhe ouvir de que lado ronca o mar do Samouco.»

A paragem certa a meio da travessia era sempre na Fonte do Samouco. Ali davam de beber aos animais nos tanques redondos de pedra, molhavam as alcofas de peixe com água fria da nascente e descansavam alguns minutos à sombra cerrada das faias-das-ilhas, antes de retomar a marcha pela areia funda até às primeiras hortas do Pilado.

CRÓNICA 04 DE 15 • ASSOCIATIVISMO E CONVÍVIO

O Grande Torneio de Chinquilho na Sociedade (1972)

Fundada a 25 de julho de 1948, a Sociedade Desportiva e Recreativa do Pilado e Escoura (SDRPE) rapidamente se tornou o centro da vida social das duas localidades. Se durante a semana reinava o silêncio do trabalho, ao domingo de tarde o terreiro anexo à sede enchia-se de vozes, fumo de assadores e o som metálico inconfundível das malhas de ferro.

Na primavera de 1972 disputou-se um dos torneios mais renhidos de que há memória na aldeia, opondo os lançadores do Pilado às equipas vizinhas da Embra e da Ordem. O campo de terra batida fora cuidadosamente varrido e borrifado com água para travar o deslize do ferro.

«Aqui não há sorte, há braço e vista: dezoito passos contados a rigor e a moeda de tostão em cima do meco!»

Quando a partida chegou aos 26 pontos para cada lado, o silêncio fez-se total à volta das cordas. O lançador do Pilado sopesou a malha de ferro torneada numa oficina da Marinha Grande, alinhou o ombro e largou o lançamento. O disco bateu a dois palmos do fito, derrubou o pau de laranjeira em cheio e fechou a partida nos 30 pontos, dando início a uma tarde inteira de sardinhas assadas na telha e convívio entre vizinhos.

CRÓNICA 05 DE 15 • OBRA COMUNITÁRIA

A Construção da Capela de Nossa Senhora do Rosário (1974)

Até ao início da década de 1970, a população do Pilado não dispunha de templo próprio para os ofícios religiosos e festividades da padroeira. Para assistir à missa dominical, batizados ou funerais, era necessário percorrer os cinco quilómetros até à Igreja Matriz da Marinha Grande.

Determinados a dotar o lugar da sua própria capela, os moradores organizaram uma comissão local que mobilizou todas as casas. Num espírito exemplar de entreajuda comunitária, quem dispunha de economias contribuiu em dinheiro; os pedreiros, carpinteiros e serventes da aldeia ofereceram os seus sábados e domingos de folga; os lavradores cederam tratores e carroças para o transporte de pedra, areia e telha.

«Cada parede desta capela tem o suor das nossas mãos e a união das famílias do Pilado.»

Inaugurada em 1974 sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário, a capela afirmou-se desde então como marco arquitetónico e afetivo do lugar, celebrando anualmente em outubro a festa que reúne os residentes e os filhos da terra emigrados no estrangeiro.

CRÓNICA 06 DE 15 • RAÍZES ETIMOLÓGICAS

O Pilão de Carvalho e a Fornada de Broa

Nos casais mais antigos do Pilado, junto ao alpendre ou num canto fresco da adega, guardava-se o instrumento que deu origem ao nome da terra: o grande pilão vertical, talhado num cepo inteiriço de madeira rija, acompanhado pelo maço de dois punhos.

Depois das desfolhadas de setembro e da secagem das maçarocas ao sol nos eirados, o milho precisava de ser pisado e partido antes de ir à mó ou à peneira. O som cavo e cadenciado do maço a bater no fundo do pilão ecoava pelas quintas ao fim da tarde.

«Farinha escaldada a preceito e forno aquecido com carqueja do pinhal: é assim que a broa do Pilado se aguenta oito dias fresca na arca.»

A farinha de milho amarelo, misturada com uma terça parte de centeio e água fervente salgada, era longamente amassada pelos punhos das mulheres na masseira de pinho. Depois de levedar coberta por panos de linho e mantas de lã, cada broa era tendida em redondo, pousada sobre uma folha larga de couve-galega e levada à pá para o forno de tijolo, de onde saía com a côdea estaladiça e o fundo perfumado pela couve tostada.

CRÓNICA 07 DE 15 • MEMÓRIA DO ULTRAMAR (1968)

O Aerograma Azul e a Rua Amílcar Paulo Grilo

Na década de 1960, a juventude do Pilado viveu sob a sombra constante das mobilizações para a Guerra do Ultramar. Rapazes habituados à oficina de moldes, à praça de vidro ou à lavoura dos pais eram chamados às fileiras e embarcados no cais da Rocha do Conde de Óbidos rumo a Angola, Guiné ou Moçambique.

Entre eles partiu Amílcar Paulo Gomes Grilo, filho do Pilado, mobilizado pelo Regimento de Cavalaria n.º 7 como Soldado Atirador da Companhia de Cavalaria 1706 (Batalhão de Cavalaria 1917). Durante os meses de comissão no norte de Angola, a ligação à família fazia-se através dos aerogramas azuis do Serviço Postal Militar, onde pedia notícias da saúde dos pais, das sementeiras e dos amigos da aldeia.

«Aqui no mato o calor não dá tréguas. Só penso no dia de regressar à nossa rua, sentir o ar fresco do Pinhal e abraçar toda a gente no Pilado.»

A 13 de janeiro de 1968, o soldado Amílcar Paulo Gomes Grilo tombou em combate em terras angolanas, no cumprimento do dever militar, com apenas 20 anos de idade. A notícia mergulhou o Pilado num luto profundo e partilhado por todas as portas.

Para honrar de forma perpétua a sua memória, a autarquia e a população atribuíram o seu nome à artéria onde residia a sua família — a atual Rua Amílcar Paulo Grilo (Código Postal 2430-321 Pilado) — inscrevendo na geografia da sua própria terra o nome do jovem que dela partiu sem regresso.

CRÓNICA 08 DE 15 • ANTIGOS OFÍCIOS DA FLORESTA

As Carvoeiras de Fumo Lento na Orla do Pinhal

Muito antes de o gás de botija chegar às cozinhas da Marinha Grande, um dos ofícios mais duros e silenciosos praticados pelos homens do Pilado era o de carvoeiro. Nos terrenos de limpeza da Mata Nacional de Leiria, aproveitavam-se as cepas velhas de urze (o «torgão»), os troncos tortos de pinheiro e a ramada grossa dos desbastes para armar as carvoeiras.

A lenha era empilhada em cúpula perfeita à volta de uma chaminé central e depois inteiramente coberta com uma camada espessa de caruma seca, musgo e terra húmida batida à enxada, para que o ar não entrasse em demasia.

«Se a carvoeira abre greta e puxa labareda durante a noite, uma semana de trabalho vira cinza branca antes do amanhecer.»

Durante cinco a sete dias consecutivos, o carvoeiro dormia numa cabana improvisada de ramos ali mesmo ao lado do forno fumegante. Pelo cheiro e pela cor do fumo — primeiro branco e húmido, depois azulado e transparente — sabia exatamente quando tapar os «respiradouros» com terra. Quando a carvoeira arrefecia e era aberta, saía de lá o carvão negro, rijo e brilhante como azeviche, que seguia em sacas de serapilheira para alimentar as forjas dos ferreiros e os ferros de brasa de todo o concelho.

CRÓNICA 09 DE 15 • DIÁSPORA E REGRESSO (ANOS 1960)

A Mala de Cartão e o Comboio da Linha do Oeste para França

Nos primeiros anos da década de 1960, quando a jorna do campo e da mata não chegava para criar os filhos, muitos homens do Pilado e da Escoura partiram a «salto» rumo a França. As despedidas faziam-se em silêncio, de madrugada, no apeadeiro ou na Estação da Marinha Grande, para não levantar suspeitas da Guarda.

Levavam uma mala de cartão ou de madeira envernizada atada com cordel de sisal, um pão de quilo, um chouriço da matança e a morada escrita a lápis de um primo ou vizinho já instalado nos arredores de Paris, Orleães ou Clermont-Ferrand. Trabalhavam nas obras, nas fundições e nas fábricas da Michelin, poupando cada franco enviado em vale postal para a caixa de correio da família.

«Em agosto, quando os carros de matrícula francesa dobravam a curva do Pilado e buzinavam à porta da Sociedade, era dia de festa em todas as casas.»

Com as poupanças de anos de trabalho árduo no estrangeiro, compraram courelas, substituíram as velhas casas de adobos por moradias de alvenaria e azulejo, mas nunca deixaram de regressar todos os verões à sua aldeia e à sombra fresca do Pinhal.

CRÓNICA 10 DE 15 • DO VIDRO AO AÇO DE PRECISÃO

O Primeiro Torno Mecânico no Barracão do Quintal

Na década de 1970 e 1980, operou-se no Pilado uma revolução silenciosa. Os filhos dos antigos resineiros e vidreiros, depois de aprenderem o ofício de serralheiro-mecânico, torneiro e fresador nas grandes empresas de moldes da Marinha Grande, começaram a sonhar com a conta própria.

Ao fundo do quintal, onde antes ficava o palheiro ou a eira, levantava-se um anexo de blocos de cimento com corrente trifásica. Com letras bancárias assinadas pelos pais como fiadores, comprava-se o primeiro torno paralelo ou uma fresadora convencional em segunda mão.

«Saíamos da fábrica às seis da tarde, jantávamos a correr na cozinha e íamos para o barracão limar e polir aço até à uma da manhã.»

À luz fria das lâmpadas fluorescentes, ao som do óleo de corte e do aço a ser desbastado ao centésimo de milímetro com o micrómetro na mão, nasceram pequenas oficinas familiares de bancada, polimento e erosão que ajudaram a transformar o concelho da Marinha Grande num dos maiores centros mundiais da indústria de moldes.

CRÓNICA 11 DE 15 • INVERNOS E ENTREAJUDA RURAL

O Dia da Matança do Porco e o Chamusco de Caruma

Entre o Dia de Santo André, no fim de novembro, e as vésperas do Natal, quando a geada apertava a sério no Pilado, cumpria-se o ritual anual que garantia a fartura da salgadeira para os doze meses seguintes: a matança do porco. Nunca era trabalho de uma casa só; juntavam-se os compadres, os tios e os vizinhos da rua logo ao romper da manhã.

Na nossa terra, ao contrário de outras regiões onde se usava palha de centeio, o porco era «chamuscado» com grandes braçadas de caruma seca do Pinhal. O lume vivo das agulhas de pinheiro queimava a cerda num instante e deixava no couro raspado à faca e pedra-pomes um aroma inconfundível a resina tostada.

«Traz a aguardente de bagaço e as figas secas para os homens do banco, que a água já ferve no pote de ferro!»

À tarde, enquanto o porco arrefecia pendurado no chambaril da adega, as mulheres passavam horas de volta dos alguidares de barro a temperar o arroz escaldado com sangue, banha picada, salsa, alho e cominhos para encher as célebres morcelas de arroz. À noite, a casa abria as portas aos vizinhos para a sarrabulhada, num convívio onde ninguém saía sem provar as febras assadas na brasa.

CRÓNICA 12 DE 15 • A ADMINISTRAÇÃO DO PINHAL

O Mestre Guarda-Florestal e o Telefone de Manivela

Durante todo o século XX, a ordem e a conservação dos onze mil hectares da Mata Nacional de Leiria assentavam numa rede exemplar de Casas de Guarda e postos de vigia. Para a gente do Pilado, a figura do Mestre Guarda-Florestal — com a sua farda de fazenda cinzenta-esverdeada, chapéu de abas e bandoleira de couro ao peito — inspirava um respeito quase solene.

Os guardas conheciam cada aceiro, cada linha de água e cada talhão pelo número, desde a Garcia até ao Samouco. Ao mesmo tempo que fiscalizavam os cortes e as licenças de lenha, sabiam fechar os olhos com humanidade quando viam uma viúva pobre ou um miúdo do Pilado apanhar um feixe de ramos secos caídos no chão para aquecer a lareira.

«Quando a campainha do telefone de manivela tocava três vezes na Casa do Guarda, já os vigias das torres tinham cruzado a bússola sobre uma coluna de fumo.»

No verão, mal soava o rebate de incêndio, os resineiros, cantoneiros e moradores do Pilado largavam tudo o que tinham em mãos e corriam para o aceiro com enxadas e ramos de pinheiro verde, travando o fogo a braço para salvar a mata que era o ganha-pão de todos.

CRÓNICA 13 DE 15 • VERÕES DA NOSSA GENTE

Os Domingos de Agosto na Fonte do Samouco

Nos domingos quentes de agosto dos anos setenta, logo depois do almoço ou da missa da manhã, formava-se no Pilado e na Escoura uma autêntica romaria rumo ao oeste. Quem tinha motorizada Casal ou Zündapp levava a mulher à pendura; os mais novos iam de bicicleta e as famílias grandes juntavam-se na caixa de madeira de uma carrinha Bedford ou Datsun.

O destino era a Fonte do Samouco e o seu areal selvagem. Mal chegavam ao parque de merendas sombreado pelos pinheiros e pelos samouqueiros antigos do Talhão 144, o primeiro gesto dos homens era mergulhar os garrafões de vinho tinto e as melancias verdes dentro da água gelada dos pequenos tanques redondos de pedra da fonte.

«Não vão nadar para longe no mar do Samouco, rapazes, que este mar tem agueiro fundo e puxa para fora!»

Depois de uma tarde a apanhar camarinhas brancas nas dunas e a molhar os pés na espuma bravia do Atlântico, as famílias reuniam-se à volta das mesas de pedra para o lanche ajantarado: frango corado no tacho, salada de tomate com cebola nova da horta e fatias doces de melancia fresca, regressando ao Pilado ao cair do sol com a pele a cheirar a salitre e a resina.

CRÓNICA 14 DE 15 • MEMÓRIA SOCIAL DA SDRPE

Os Bailes de Acordeão e as Quermesses na Sociedade

Muito antes das discotecas e da televisão a cores, a alegria da juventude do Pilado e da Escoura morava no salão da Sociedade Desportiva e Recreativa (SDRPE). Nos sábados de festa e, sobretudo, nos dias da Festa de Nossa Senhora do Rosário em outubro, o salão engalanava-se com grinaldas de papel colorido cortadas à tesoura pelas raparigas da aldeia.

Ao fundo, em cima do pequeno palco de tábuas de pinho, subia o acordeonista ou o conjunto musical da Marinha Grande. De um lado da sala sentavam-se as mães e as tias em bancos corridos, vigiando com olho atento cada par que saía para o meio do salão ao som dos pasodobles, marchas e valsas.

«Tira uma rifa na quermesse, rapaz: mesmo que te saia um pacote de bolachas ou uma louça das Caldas, ganhas coragem para a convidar para dançar!»

Foi naquele salão, entre o rodar das rifas enroladas em canudos de madeira e os copos de gasosa e jeropiga no balcão da Sociedade, que começaram quase todos os namoros e casamentos que deram origem às famílias atuais do Pilado.

CRÓNICA 15 DE 15 • HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA (15-10-2017)

A Noite de Outubro em que o Céu Ficou Vermelho

Ninguém que vivesse no Pilado no domingo de 15 de outubro de 2017 esquecerá alguma vez o som do vento ciclónico e a cor de chumbo e brasa que tomou conta do céu ao cair da tarde. Empurrado pelas rajadas quentes da tempestade Ophelia, o maior incêndio da história do Pinhal de Leiria avançou a uma velocidade avassaladora desde o sul do concelho.

Quando o fumo negro engoliu a estrada e as fagulhas acesas começaram a chover sobre os telhados e quintais do Pilado e da Escoura, a aldeia inteira levantou-se como um só corpo. Sem esperar por socorro externo — que não conseguia chegar a todas as frentes —, homens, mulheres e jovens armaram-se de mangueiras, baldes, pás, cisternas agrícolas e ramos para defender casa a casa.

«Naquela noite ninguém dormiu no Pilado: enquanto houvesse um balde de água num poço, nenhum vizinho ficava sozinho a defender a sua porta.»

Na manhã seguinte, o silêncio era devastador: mais de oitenta por cento da secular Mata Nacional de Leiria, desde as portas da aldeia até às dunas da Praia do Samouco, jazia em troncos negros fumegantes. Mas o Pilado resistira de pé. Nos anos que se seguiram, tal como os seus antepassados do tempo de D. Dinis, a gente da terra voltou aos aceiros do Samouco e do Pinhal para plantar novos pinheiros e samoucos, provando que a raiz do Pilado é mais forte do que qualquer cinza.

MEMORIAL HISTÓRICO • TOPONÍMIA E REGISTO MILITAR (1961–1975)

O Ultramar e os Homens que Lá Ficaram

Registo documental e homenagem aos jovens naturais do Pilado e das restantes localidades do concelho da Marinha Grande que perderam a vida durante a Guerra do Ultramar em Angola, Guiné e Moçambique, e cujos nomes permanecem gravados nas placas toponímicas das nossas ruas.

MEMÓRIA DO LUGAR DO PILADO

Amílcar Paulo Gomes Grilo (1947–1968)

Nascido e criado no Lugar do Pilado, freguesia e concelho da Marinha Grande, Amílcar Paulo Gomes Grilo foi chamado a cumprir o serviço militar obrigatório no Regimento de Cavalaria n.º 7 (Lisboa), sendo integrado como Soldado Atirador na Companhia de Cavalaria 1706 do Batalhão de Cavalaria 1917.

Mobilizado para o teatro de operações de Angola, atuou em zonas de intervenção difícil no norte do território. Faleceu em combate no dia 13 de janeiro de 1968. O seu nome encontra-se inscrito no Monumento aos Combatentes da Marinha Grande e, na sua aldeia natal do Pilado, dá nome à Rua Amílcar Paulo Grilo.

MUNICÍPIO DA MARINHA GRANDE LUGAR DO PILADO • 2430-321 RUA AMÍLCAR PAULO GRILO Soldado da CCav 1706 • Tombado em Angola a 13-01-1968

Registo Individual Militar

Nome Completo
Amílcar Paulo Gomes Grilo
Naturalidade
Pilado, Freguesia da Marinha Grande
Posto e Especialidade
Soldado Atirador (N.º Mec. 07255966)
Unidade Mobilizadora
Regimento de Cavalaria n.º 7 (RC 7)
Subunidade Operacional
Companhia de Cavalaria 1706 / BCav 1917
Teatro de Operações
Angola
Data de Falecimento
13 de Janeiro de 1968 (em combate)
Toponímia Local
Rua Amílcar Paulo Grilo, Pilado (CP 2430-321)
TOPONÍMIA CONCELHIA

Ruas Dedicadas a Combatentes na Marinha Grande

MARINHA GRANDE (CENTRO)

Rua Tenente Cabeleira Filipe

Consagrada a Jorge Manuel Cabeleira Filipe, Tenente Miliciano de Cavalaria do Pelotão de Polícia Militar 5 (RL 2). Natural da Marinha Grande, foi o primeiro militar do concelho a perder a vida na Guerra do Ultramar, em Angola, a 6 de agosto de 1961.

LUGAR DA EMBRA

Rua João Francisco Galo Agostinho

Artéria principal na Embra que homenageia o 1.º Cabo Condutor Auto João Francisco Galo Agostinho, da Companhia de Caçadores 165 (BCac 158 / RI 2), morto em combate na região de Ambriz / Caxito, em Angola, a 27 de setembro de 1961.

MARINHA GRANDE

Rua Carlos Barosa dos Santos

Dedica memória a Carlos Manuel Barosa dos Santos, Furriel Miliciano de Cavalaria da Companhia de Cavalaria 704 (BCav 705 / RC 7), natural da Marinha Grande, falecido em campanha na Guiné (Teixeira Pinto / Canchungo) a 19 de novembro de 1964.

LIVRO DE HONRA MUNICIPAL

Os 12 Militares da Marinha Grande Falecidos em Campanha

Nomes perpetuados no Monumento do Parque Mártires do Colonialismo (escultura em bronze de Joaquim Correia, inaugurada em 1965).

Nome Completo Naturalidade / Lugar Posto e Unidade Operacional Teatro Data
Jorge Manuel Cabeleira Filipe Marinha Grande Tenente • PelPM 5 / CPM 233 (RL 2) Angola 06-08-1961
João Francisco Galo Agostinho Embra 1.º Cabo Condutor • CCac 165 / BCac 158 (RI 2) Angola 27-09-1961
Helder Luciano de Jesus Roldão Marinha Grande Alferes Miliciano • CCE 270 / BCac 96 (EPI) Angola 05-02-1962
José Leonel Morouço da Silva Ordem Furriel Miliciano • Força Aérea (BA 4 / AT 2) Angola 05-12-1963
Carlos Manuel Barosa dos Santos Marinha Grande Furriel Miliciano • CCav 704 / BCav 705 (RC 7) Guiné 19-11-1964
Carlos de Jesus Vereda Marinha Grande Furriel • Força Aérea (BA 5 / BA 9) Angola 29-01-1966
Augusto Santos Bernardes Marinha Grande Soldado Atirador • CCac 2509 / BCac 2873 (RI 15) Moçambique 18-07-1969
Acácio Carriça Pedrosa Praia da Vieira 1.º Cabo • GACA 2 Guiné 14-05-1971
José Manuel Gregório Marques Albergaria Soldado Atirador • RI 15 Angola 18-01-1975
José Maria Correia Ordem Soldado Cozinheiro • CIOE Angola 02-02-1975
Jorge Custódio Grácio Casal das Raposas Soldado Atirador • RC 4 Angola 02-07-1975
ETNOGRAFIA E CULTURA POPULAR • SDRPE (1948)

Chinquilho, Mesa e Vocabulário Local

As práticas coletivas que definem a identidade social do Pilado: o jogo tradicional da malha nos terreiros da Sociedade, a gastronomia ligada à matança e ao forno a lenha, e o léxico próprio das gentes do Pinhal e do vidro.

JOGOS TRADICIONAIS DA MARINHA GRANDE

O Jogo do Chinquilho (Jogo da Malha)

Praticado ininterruptamente nos terreiros da Sociedade Desportiva e Recreativa do Pilado e Escoura desde a sua fundação em 1948, o chinquilho é o desporto popular por excelência da aldeia. Disputa-se num corredor de terra batida com 16 a 18 passos, onde em cada extremidade se coloca o meco (ou fito) de madeira roliça.

  • 4 Pontos (Derrube / «Dar ao Fito»): Atribuídos quando a malha de ferro acerta diretamente no meco e o derruba.
  • 2 Pontos (Malha Próxima): Atribuídos à equipa cuja malha fique mais encostada ao meco no final do lançamento dos jogadores.
  • Fecho aos 30 Pontos: Vence a partida a primeira dupla a alcançar exatamente ou ultrapassar os 30 pontos regulamentares.
MARCADOR DE TERREIRO

Contagem de Partida (30 Pontos)

Equipa Pilado 0
Equipa Escoura 0
PATRIMÓNIO ALIMENTAR

Mesa Tradicional do Pilado

I • ENCHIDOS REGIONAIS

Morcela de Arroz

Ícone gastronómico da região de Leiria e Marinha Grande. Confecionada com arroz escaldado no caldo das carnes de porco, sangue, gordura tenra, alho, sal e cominhos em grão pisados. Assa-se na brasa de pinho até a tripa ficar estaladiça.

II • FORNO COMUNITÁRIO

Broa de Milho em Folha de Couve

Feita com farinha de milho amarelo escaldada e um terço de centeio. Antes de entrar no forno aquecido com caruma e carqueja, a massa é assente sobre uma folha de couve-galega da horta, que impede que a cinza agarre à base.

III • DOÇARIA DE INVERNO

Filhoses de Abóbora

Preparadas nas festas de outono e pelo Natal com abóbora-menina cozida e escorrida em pano de linho, ovos caseiros, raspa de laranja e aguardente, fritas em azeite e polvilhadas com açúcar e canela.

GLOSSÁRIO ETNOGRÁFICO

Termos e Expressões da Terra

«Gema»

A seiva resinosa limpa e espessa que corre da ferida aberta no tronco do pinheiro-bravo para o púcaro de barro.

«Caruma»

Folhagem seca (agulhas) caída dos pinheiros, essencial no Pilado para acender os fornos de broa e estrumar as terras.

«A Praça»

Conjunto de operários que trabalham em equipa à volta de um forno de vidro, sob a direção do mestre vidreiro.

«Aceiro»

Faixa larga desmata na Mata Nacional de Leiria que divide os talhões florestais e serve de caminho até à Praia do Samouco.

«Dar ao Fito»

Acertar diretamente no pino de madeira no jogo do chinquilho; usado no quotidiano como sinónimo de falar com exatidão.

«Samouco»

Designação local da árvore Myrica faya (faia-das-ilhas), que batiza a Fonte e a Praia do Samouco na costa marinhense.

CARTOGRAFIA E COMUNIDADE

Enquadramento Geográfico e Livro de Registos

Posição estratégica do Lugar do Pilado entre a cidade da Marinha Grande, a Mata Nacional de Leiria e o Oceano Atlântico, acompanhada pelo mural de memórias aberto aos habitantes e naturais da terra.

ACESSOS E DISTÂNCIAS RODOVIÁRIAS

Ligações a Partir do Pilado

Destino / Referência Direção Distância Tempo Estimado
Mata Nacional de Leiria (Pinhal do Rei) Oeste / Norte Contíguo (0 km) Acesso pedestre imediato
Marinha Grande (Centro / Museu do Vidro) Sul 5,0 km 6 minutos
Praia da Vieira Noroeste 11,5 km 13 minutos
São Pedro de Moel Sudoeste 13,5 km 15 minutos
Leiria (Centro Histórico / Castelo) Sudeste 12,0 km 14 minutos
OCEANO ATLÂNTICO MATA NACIONAL DE LEIRIA (PINHAL) Praia da Vieira Praia do Samouco Fonte do Samouco S. Pedro de Moel PILADO • Escoura • Garcia Marinha Grande Leiria Esquema de ligação entre o Lugar do Pilado, o Pinhal do Rei e a Praia do Samouco.
PARTICIPAÇÃO COMUNITÁRIA

Livro de Registos e Memórias do Pilado

4 Registos

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